sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Fim-de-semana nas alturas

         Já diz a sabedoria popular que as coisas boas passam voando e foi exatamente isso que no aconteceu no primeiro fim-de-semana de Setembro, literalmente. Assim como no ano passado, as cidades do Porto e de Vila Nova de Gaia foram escolhidas para sediar uma das provas do Red Bull Air Race , a fórmula 1 dos céus. Para quem gosta de acrobacias aéreas e a emoção de uma competição limpa e acirrada, nada melhor para fazer com que saia de casa e vá para uma multidão junto ao Rio Douro .
         No sábado, dia de classificação para a corrida, escolhemos um sítio (lugar) diferente do ano passado para termos uma nova perspectiva. Chegamos já no finalzinho ao Jardim do Morro e ainda estava com muita gente. Nota mental: chegar bem cedo amanhã para conseguir um bom lugar. Aproveitamos a saída de casa, mesmo vendo poucos aviões, e curtimos a cidade mais cheia do que o normal e só então é que voltamos tranquilamente para o nosso cachorro quente e nosso bolo de cenoura com calda de chocolate, foi a primeira vez que fiz um decente, mas não para comer os dois de uma vez, claro. O resto da nossa noite é mote para outra publicação.
          Domingo, dia de corrida, dia de levantar cedo, de concentrar, ter alimentação leve e chegar cedo… esse era o plano, pelo menos, mas acho que só os pilotos e outras milhares de pessoas é que o seguiram. Já nós duas saímos mais tarde do que tínhamos planejado para chegar e repetimos os lanches de sábado no melhor estilo farofeiro. Quanta gente a toa, ai Jesus!!! Não conseguimos ficar nem perto de onde pensamos e a rádio patrocinadora não narrou a corrida, portanto, para nós foi mais um show acrobático, adivinhômetro dos melhores tempos e muita conversa jogada fora. O fato de estarmos alheias à disputa fez perder um pouco a emoção, mas ainda assim ficamos deslumbradas com a habilidade dos pilotos, admiramos os gatinhos (estrangeiros) e rimos muito, na mesma. No mais, aproveitamos a paisagem, que para mim é o local mais bonito dos que já visitei por aqui, o calorzinho final do verão e a brisa fresca do Outono que se aproxima. Tudo de graça.
         Quem pode pedir mais? Eu não peço, pelo menos esta semana…

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Noite completa

         No mesmo dia do show da Vanessa da Mata, ficamos sabendo da apresentação do Joaquín Cortés, também gratuita. Palavrinhas mágicas: Joaquín Cortés (=flamenco) + gratuito. Animamos logo e confirmamos na agenda para o penúltimo dia do mês; que cinema, que nada.

         Novo trabalho, novos amigos, nova turma. Todos s’imbora para o show, em pleno sábado depois do expediente. Até a chefe, brasileira, arrebitou conosco: 5 mulheres brasileiras num carro… loucura, loucura, loucura. Mais de 40 minutos depois, uma vaga e depois de mais um tanto de manobra (o Márcio, nosso carro, não é direção assistida / hidráulica) descobrimos que era faixa amarela apagada. E aí? Local proibido disfarçado, ora! E essa já era a segunda tentativa, a primeira foi em uma exclusiva para táxi, e por isso resolvemos deixar ficar. Não fiquei nada a vontade e o pessoal dizendo que não tinha mal… Vamos, não vamos, vamos, não vamos, fomos e lá perto do palco encontramos mais uma brasileira com o marido. Meu grilo falante, que tem me acompanhado muito, não se calava e Edite e eu voltamos para estacionar o Márcio em outro lugar, lá depois de onde Judas cortou o pé sem a bota.

         Começou o show, avisaram pelo telefone, toca a correr. O pessoal lá a beira-mar todo agasalhado e eu suando bicas. A apresentação começou morna, com mais canto “cigano” que sapateado, mas depois foi um espetáculo. Adoro sapateado e, por isso, posso dizer que fui a ou uma das únicas que olhava-lhe os pés. Até a mulherada mais velha comentava dos dotes físicos do rapaz. Se não era da barriguinha saliente (motivo de decepção porque ele não tirou a camisa), era das pernas e das bandas, por assim dizer. E as comadres estavam tão soltas, que o cara virou até o pai da primeira filha da Madonna, citada com muita inveja por essa “sorte”. Ouvia-se de tudo naquele show, menos da habilidade do artista, coitado, ou do fato dele dançar/sapatear mais de uma hora sozinho e sem intervalo. Aliás, teve até quem reclamou que a parte dele durou pouco!!! – provavelmente aquelas que assistiram o show de costas. O cara tinha o cabelo e a camisa pingando, galera?!?! Se calhar, vimos dois shows diferentes e eu, pelo menos, pude rir do que ouvia e contemplar o que via.

         Palmas, palmas, palmas! Fantástico! Hora de ir embora! Que nada, vamos mais é arranjar um lugar para bater papo. Conversa boa até às tantas ao gosto de cafés, torradas e francesinhas e mais conversa nas despedidas de cada uma até às 4h.

         Alguém tem palito para segurar as minhas pálpebras? Ainda tenho que pensar no próximo fim-de-semana tão animado como este antes que o verão acabe…

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

As sextas-feiras do verão – Parte III

       Durante a última semana de Agosto fui convidada para um novo festival a acontecer mesmo ao lado do local de trabalho. A informação inicial era sobre uma feira alternativa, o que para quem já foi chamada de hippie, fez os olhos brilharem. Juntamos uma turma, muito boa por sinal, de 4 brasileiras e um marido a tiracolo. Chegando lá qual não foi a minha surpresa ao ver dois grandes palcos e em um deles uma banda bate-estacas. Será que ainda dá tempo de sair de mansinho? Ok, vamos relaxar, afinal a minha bicicleta já está guardada no carro.

       Passamos pelo primeiro palco aquando do final da apresentação e andamos até o próximo com uma banda portuguesa, que não fazíamos idéia do nome (graças a internet já sei que era a Snail), com músicas em inglês mas bem ao estilo do Wilson Sideral. No show seguinte, não aparecemos para conferir as barracas em exposição. Quem me conhece sabe que não gosto de olhar lojas mas era minoria e, para alívio, eram apenas 5 expositores. Paguei língua! Encontrei umas boinas lindas e demorei mais do que todos… pelo menos agora tenho a minha tão desejada boina!!!
       Depois das compras, só a minha, na verdade, resolvemos voltar para o primeiro palco. No caminho fomos pegos de surpresa com a demonstração e experiência gratuita com os Fly Jumpers.

       A espera não era muito grande mas preferimos ir ao próximo show, com um grilinho na minha cabeça. Edite, vamos voltar lá? Boa! Encontramos um monitor, o Siop e ficamos a espera da nossa vez. Cobaia nº1!!! Para colocar os flyers não é nada confortável: sentar na grade abaulada enquanto o monitor coloca-lhe 3,5 Kg de equipamento em cada perna, bem amarrados nos pés e nos joelhos. Ah, mas pensou que a parte difícil termina aqui? Acha que um objeto que lhe deixa a 30 cm do chão e que tem a forma de meia-lua serve para usar nos pés e ficar em pé ou mesmo andar? Mas se um miúdo (garoto) de 10 anos consegue até correr à minha volta com isso, eu também posso – ainda bem que só me contaram depois que ele levou um tombaço.

       Em pé, marchar no lugar, pernas paralelas, corpo reto, olhar para frente (só faltou pedir que fizesse cara de feliz para a câmera). Assim, na verdade, não é tão difícil depois dos primeiros minutos. Na primeira volta deixa-se as digitais gravadas nos braços do monitor, depois só em um e após 5 minutos ele é que precisa correr atrás. Mas calma lá, a alegria dura o mesmo tempo que a sua resistência física! Quando pega-se a “manha”, o peso pega as suas coxas também. E lembra? Nada de ficar parado. Ai!!! O Siop foi uma graça, até deixou que eu descansasse para andar mais, mas as pessoas da fila não aceitariam e as minhas pernas, essas nem queriam saber da piada. O brinquedo foi muito divertido, mas fico por aqui. Edite foi a seguir.

       Assistimos a mais um show depois do exercício, desta vez de rap. Na verdade, fizemos o nosso próprio com as brincadeiras e fotos no meio do povo, até melhor do que o lá do palco. Depois disso, casa!!! Entretanto, antes da aventura acabar, a Edite foi levar os nossos amigos em casa pois o transporte público aqui encerra a partir da 1h e com isso e tive (que sacrifício…) de voltar de bicicleta, afinal, 5 pessoas mais a bicicleta num Kadet… Foi chegar, com as pernas ainda bambas dos dois exercícios, banho, e-mails e cama, mas com um belo sorriso pensando em mais um dia espetacular.


sábado, 6 de setembro de 2008

As sextas-feiras do verão – Parte II

     Apesar de ir trabalhar de bicicleta desde Julho, na semana passada precisei levá-la para a manutenção e voltar de carro com a minha cunhada. Pois bem, num desses dias, passamos por um banner com o título “Cinema fora do Sítio” e como boa cinéfila, aquilo logo chamou a minha atenção. Paramos para conferir e ainda era melhor de que eu pensava: filmes ao ar livre, de graça e cada dia (sextas e sábados de Agosto) num ponto turístico da cidade. Combinado? Combinadíssimo.

     Na sexta feira, a penúltima do mês, depois do trabalho fomos para o Palácio de Cristal ver o filme da noite: Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet. Como só tinha 200 lugares sentados, assistimos o filme em pé, ocupando o espaço de 4, já que a minha querida bicicleta já estava pronta. O filme foi, coloquemos assim, inesperado para mim. Por mais que já conhecesse a irreverência do Tim Burton com o Johnny Depp não esperava um musical. Mas de graça, o filme já tinha saído na vantagem e a experiência me levou numa viagem ao passado, com a projeção ao ar livre, o vento (frio), o cheirinho a pipoca (esse era bom, pelo menos) e o barulho do projetor do filme.

     Aprendi também uma lição nessa noite: cinema com pipoca é muito bom, mas quando não há concorrência, mesmo a pipoca doce pode ser muito salgada. De qualquer forma, comemos durante o intervalo… porque sim, aqui há intervalo de 10 minutos, mesmo nos cinemas pagos. E como o que é bom é para ser feito de novo, repetimos a experiência também no sábado, mas dessa vez chegamos mais cedo para achar lugar, assistimos O Melhor Amigo da Noiva e não compramos pipoca, óbvio.      Para a sexta e o sábado seguintes, combinamos de ver os dois últimos filmes, porém, não sabíamos que os nossos planos seriam totalmente alterados.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

As sextas-feiras do verão – Parte I

Como eu disse no começo deste blog, o verão por aqui é muito animado e ativo. As ruas estão lotadas de turistas estrangeiros, vemos desde os deuses gregos e italianos, até as musas polacas (polonesas) e romenas. Para mais, temos muitos festivais, dos pequenos e dos grandes, dos pagos e dos gratuitos, dos mais diversos temas e propostas. E foi a um destes, o Festival da Cerveja do El Corte Inglés, e aqui leia-se Super Bock já que era a única patrocinadora e a única marca vendida por lá, que fomos no último feriado. O evento foi pequeno em proporções mas durou uma semana inteira com espaço para consumo da cerveja e shows diários. Nós só passamos por lá na sexta, afinal, alguém tem que trabalhar no dia seguinte, certo?
Demos muita sorte porque exatamente, nessa sexta, adivinhe de onde era a banda atração? Vá lá, use a imaginação… Claro, do Brasil! Esse povo é praga, hein, sô!? E que praga gostosa!!! A apresentação foi do “Água na boca” e tivemos uma hora e meia de música boa e animada. Digo isso porque quem já teve a oportunidade de ouvir música portuguesa sabe do perigo de depressão consequente e olhe que nem estou levando ao extremo do Fado – loucura garantida.

Foi muito bom ver os integrantes saírem das mesas do povão e subirem para o palco. Nessa hora, já tinha começado a encher mais de gente, só que o povo ficou acumulado todo na entrada; o português é muito reservado, põe até o mineiro no chinelo. Enquanto isso, lá perto do palco tinham alguns gatos pingados que só começaram a ter mais companhia lá para o meio do show e depois da promessa de chapéu para os “dançarinos”.

É muito bom ouvir música brasileira, ajuda a me sentir mais perto de casa. O show foi pequeno mas muito bom, deu até para cantar (“Seu guarda, eu não sou vagabundo…”) e rir um tantão – atividade garantida com a companhia da Edite. E parece que cativou o resto do público também, com direito a trenzinho humano. Depois disso, a volta para casa é só alegria e o fim-de-semana já começa com o pé direito.

Posso garantir que o fim-de-semana seguinte também foi muito bom.